Mediação de leitura I

Na última semana, chegou Beatriz, uma aluna nova. Conversamos um pouco sobre a vida, avaliamos as expectativas dela em relação aos estudos e ao futuro profissional e pessoal. Contou-me sobre sua formação até aquele momento — segundo grau, faculdade de Publicidade e outros interesses.

Falou-me da nova fase da vida na qual está imersa, da rotina que tem construído, de alguns perrengues. Aos 27, precisa traçar um caminho. O que descobriu até agora é que gosta muito de escrever. Além disso, dedica um bom tempo à contemplação, o que está a seu favor — admirar, o que é quase tudo que um escritor precisa saber.

Para ler nos encontros on-line, escolhemos um diálogo de Platão pertinente aos jovens — Alcebíades I. Durante a conversa, percebi que precisava definir melhor o trabalho que tenho feito nos últimos cinco anos. Em geral, tudo funciona em uma dinâmica simples: a) o aluno escolhe um texto — em geral de filosofia — para lermos ao longo dos encontros; b) não há pressa na leitura; c) lemos e conversamos sobre o diálogo até terminá-lo, e d) escolhemos um novo texto.

Seguimos assim continuando os encontros até o aluno decidir encerrar os estudos. Ontem, depois da conversa com Beatriz, voltei a pensar nos termos com os quais me referia a meu trabalho — aula particular, mentoria (palavra horrenda), tutoria etc. Percebi que não fazem mais qualquer sentido. Lembrei então de um curso de mediação de leitura que fiz um tempo atrás, e pimba: é isso o que faço, mediação de leitura! Só isso e nada mais. Algo simples, modesto, pouquinho, aparentemente sem graça, cotidiano e tributável — sem grandes expectativas, mas feito com todo o carinho do mundo.

Parece-me o suficiente; espero que seja.

Até a próxima!